Quem é preta?
Por: Ana Paula Ponciano Serra
Quem é preta?
Quando penso nesta pergunta, já imagino escrevendo um livro.
Não concordo com muitas titularidades para a mulher preta, mas aquelas que se parecem muito comigo posso dizer.
Tenha certeza que o tom da pele escura e os cabelos que não fazem cachos, e ao molhar nem parece que esta úmido, são as que mais sofrem os quesito da escravidão.
Nós que historicamente, representamos a senzala, as amas de leite, as empregadas da casa grande. E hoje ressignificar tudo isso é um ato de Dandara, de Nzinga, Mahin, Benguela, entre outras, minha avó, minhas tias, minha mãe, eu e suas genealogias.
Ser mulher retinta é um desafio de não cair. Neste corpo aprendemos ser muralhas, sobrevivendo com que a vida nos fornece e transformando pó em ouro, dor em púlpito, amor em monumento.
Não somos vulneráveis, somos sujeitas. Sujeitas a escolher mau por sua fragilidade sentimental em meio a fortaleza, afinal, como concorrer com mulheres que historicamente se tornaram referencial de beleza colonial, social e das mídias?
Então pretas, além de tudo que fazemos, de todos os lugares que ocupamos, agora é Revolucionar, tomar o que nos foi retirado a centenas de anos, assumir nosso matriarcado, nosso posto de princesas, rainhas, guerreiras e sacerdotisa. Aprender algo com as mais velhas, repassar nosso conhecimento, nos reconhecer como unidade, empoderarmos através de nós mesmos, criar homens pretos com senso de amor, respeitos e beleza da sua própria raça e valorização da mulher preta.
Precisamos ser VERBO destas frase, ligar as pontas soltas, e tudo está ai só basta resgatar a nossa voz, pois ainda continuamos potências, economistas, estrategistas, conselheiras, curandeiras, acalento, auxilio presente nas horas difíceis.
Vamos nos curar dessas correntes que nos aprisionam e que não faz mais sentido arrastar por ai, somos a chave que abrem qualquer porta.
Pense nisso.
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